Agridoce

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E nosso encontro foi doce. Tão doce que demorei dias para entender que foi um ‘adeus’.
Eu quis muito ser o que você precisa
Pensei em largar a boemia, o samba e a cerveja
Pensei em me sentir em paz
Talvez tentar desfazer o reboliço interno que me causa o simples fato de não fazer nada
Tristeza e calmaria não são tão iguais assim, não é?

Acho que esqueci que você era um universo complexo também
Te quis para mim… e quase quis seu sua paz
Cuida de mim?
Acho que não existe esse lance chamado paz
Não para mim que gosto do sopro que vem depois do ardido.

A surpresa foi ver que parece que a paz também não vem para você,
que se sente responsável pelos desertos alheios,
que acha que pode salvar as pessoas de seus próprios abismos.

Afinal, em algo somos iguais.
Também gosto de dar uma de super-heroína
No momento tento o difícil resgate de mim mesma, sabe?
Não está sendo fácil me olhar de perto
O divã tem espinhos afiados.

Eu disse ‘adeus’ no começo, mas sei que enquanto pensar em você
(nas noites quentes e frias, vem dormir de conchinha?) não haverá adeus
Gosto do seu gosto e olhos alegres.

Sinto falta das suas perguntas sobre mim
Se te visse hoje e você me perguntasse do meu dia
Diria que comprei lindas flores de plástico
Desesperadamente, precisava ver beleza nos meus dias longe de você.
Até logo, espero.
Te espero, sim.


[Juliana Gonçalves] – Mais poesias da autora



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