A gente vai virando vento

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A gente vai virando vento, vai virando brisa, vai virando poeira, pra poder ir e vir.
Abro a janela da vida e me disponho a sentir o que alguém diz ser somente dó.
Caramujos, formigas, lagartixas e insetos à deriva prendem-se ao meu corpo,
não temem a queda da decisão
– a decisão de se estar só…

Escrevo na linha azul do céu o tempo marcado que foi em outros tempos resguardado.
Nuvens de pó e algodão, entre brisas de aluvião, fazem-me lembrar dos balanços, circulares, em frente à igreja que nunca mais esqueci.

Choro saltitante, traduções quimioméricas, entre cabelos e afagos delirantes
ensino a memória mofada que os pensamentodutos entupiram-se de lembranças
encarquilhadas.

Sem dores ou odores insensíveis ao meu ser, disperso-me como água contaminada.

e no gasoduto que leva a matéria prima da vida, espero no fundo do abismo encontrar
o fim de todo o fim

do nada

[Nathan Matos]



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