Amianto

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Ou como ela passa minutos mexendo no cabelo olhando para o nada,
ou quando olha no espelho fixa, com olhos de quem quer entrar ali e arrumar alguma coisa,
poder atar alguns nós no que deixou para trás.
Talvez procure coragem de jogar partes da sua vida fora e preenchê-las com amianto.
Perpetuar o gosto cinza que já lhe cauterizou a garganta e, segundo acredita, a impedem de sorrir.
Seu rosto pálido e delicado não recebe carinho há muito tempo.
Pudera.
Com as quimeras que colocou em sua cabeça, ninguém chega perto sem diminui-la.
Sem seus monstros fica frágil.
Como a boneca de porcelana que guarda no armário.
Sem nunca sair da caixa.

[Pedro Pracchia] – Mais poesias do autor



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