Caro Tio

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Sonhei que tinhas fios como uma marionete
e cada ato genuino teu parecia tão falso
quanto um anseio de um pobre por um brilhante

Que cada escolha que optavas
cada caminho que escolhia e tão bem lhe fazia
causava tanto ou mais mal para alguém que você nem conhecia

Seu rosto era banhado em glicerina
Sua voz envolta de neblina
e seus olhos negros opacos gritavam por liberdade

O passado ruía sem respeito
Abriam-se grandes buracos nos chãos que já pisara
e em vez de flores, brotavam ferro e concreto armado até os dentes

Sei que nunca lhe escrevo
E sei que sabe que por ti não tenho grande apreço
Mas, caro tio
Escrevo por que acordei
e continuo a sentir cada uma das palavras
Como cicatrizes queimando em minha carne viva

[Pedro Pracchia] – Mais poesias do autor



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