Dê o nome

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cura e perdição nem único sorriso
é ele quem pega o violão e dedilha o amor
o samba e a nossa ressureição
seus dedos têm o meu gosto
e, mesmo assim,
a gente pensa em terminar
porque não dá para amar livre para sempre
uma hora algo embrutece em nós

me visto correndo
cabelos desgrenhados e confusa
fui nós dois e agora serei só eu
ele, com suas roupas tão certinhas, não hesita nunca
sabe que o que nos une não foi feito para durar

olho bem nos olhos
que nunca me fizeram falsas promessas e digo
essa cor de camisa não lhe cai bem
quando na verdade queria dizer
fica comigo e não me deixa ir

não foi sem desespero que desaprendi a amar
para só então começar tudo de novo
não era preciso fugir, dessa vez

te conto que ando tão gentil comigo mesma
mordo os seus lábios porque
faço as minhas vontades
faço as unhas
passo o que me faz mal
passo batom

se não há mãos disponíveis
afago meus próprios cabelos até pegar no sono
percebi que ter motivo pra sorrir todos os dias
exige muito de mim e cansa

você vive atarefado mudando o mundo
enquanto eu gosto de primavera e
sou regida por Vênus

você constrói sua irreverência
com um brinco na orelha
e se fantasia de alguém leve para ir
dançar na sexta-feira à noite

confesso em sussurros que parei de fingir ser água
não sou límpida, nem fluída
retenho coisas, fico

fica

debocha dizendo que quero tudo livre
desde que perto de mim
consinto e vamos dormir

Aninhada no seu cangote
sonho que poderia te dar um filho

[Juliana Gonçalves] – Mais poesias da autora



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