Desabafo

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tomei gosto pelo drinque
um dedo de sour mash sulista
um estrago
é terça-feira e faz frio
mais gordo e bastante barbado
sentimental na madrugada ouvindo trovas bregas de amor fodido
e fumando
cigarros franceses
todo um puro dissabor, não se engane
o tempo galopa
escapam-me as pistas do crime perfeito
sei o sujeito o momento o lugar os porquês e senãos
mas não toco a verdade
desvio do caminho com a disciplina de um monge
um assassino serial
lá fora o vento esquenta casais
aqui dentro
sou eu
sou isso
pergunto se o desleixo não será um jeito morno de avisar que enlouqueci
mas a brasa fere os dedos
teimosa
interrompe o devaneio
penso em gritar que estou vivo
falar da vida
dizer a ela
que me espere
mas não quero acordar os honestos
tomei gosto pelo frescor turbilhoso do ar no rosto
enquanto caio


[Rafael Gregório] – Mais poesias do autor



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