Ensaio sobre o fim

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Se conheci o amor foi com você

foi o que floresceu no meio de nós dois

o amor virou música

se instalou nos meus versos

habitou nos bilhetes desconexos escritos por você

o nosso amor semeou lírios e saudades

corpos vibrantes e gritos de prazer abafados na madrugada

O nosso amor foi Vinícius

foi Mágico

foi Buarque,

foi também a fumaça do Bob, cinza, cinza…

Na peça da história do nosso amor houve atos regados a vinho

quantas homenagens prestamos a Baco?

lágrimas, saliva, suor, sangue e todos os outros fluídos humanos, pois te queria perto, cada vez
mais perto

cenas preenchidas com silêncio e caos, tudo ali; fragmentos de nós dois

O nosso amor foi vivido, temido, protegido, mimado, cultivado, sofrido, esgotado e
remendado

mesmo assim tentamos, tantas vezes, deixá-lo de lado

o amor vivido, se foi bem vivido, não acaba de repente.

ele definha…

E a gente se apega, se rasga e se beija e se olha tentando tantas vezes achar o amor que estava
ali…

por que dentro de uma vida finita, nós, loucos, acreditamos em sentimentos infinitos?

O nosso amor tinha a beleza frágil que só as coisas tristes e findas têm.

O fim

Sua loucura, muito antes de você, quis me foder

penetrou na minha mente com olhos sedentos e sorriso fácil

a fala mansa de sempre

bem pausada para atravessar o meu ritmo

a sua confusão nunca foi a minha confusão, no entanto, doía do mesmo jeito

não tinha aprendido a lição de nunca colocar o amor no meio de uma recaída

era só sexo, só… um sexo só

por que profanar a santidade de dois corpos falando de amor?

por que abalar a sanidade de duas mentes falando de amor?

não há nada mais triste do que ver o dia chegar e com ele o desejo dos olhos se transformar
em arrependimento

eu, inteira

você, fragmentos

– Foi a transa de despedida, afirmou.

Ri, triste…

De dentro para fora, de fora para dentro

Espero que você tenha gozado de todas as maneiras

Porque o meu coração e minha mente livre você não fode mais

[Juliana Gonçalves] – Mais poesias da autora



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