Gélidos dedos

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Gélidos dedos
No meu peito
Deita, do meu jeito
Tateia meu desejo
Fareja, esteja
Sob o meu umbigo
Rasteja seu você em mim
Mergulha no pequeno oceano
Vasculha o que se quer
Um íntimo, descobre
Realiza o seu feito
Segue meu rastro
Mostra seu deleite
E tudo mais de você
Venha com o peito palpitando
Ardendo no centro
Lugar sem vento, pequeno
E num dia claro
E você ereto,
Fica em mim
Na boca ou não
Molhada na imensidão
A boca; uma imensidão
Suga o gélido dos dedos
Vasculha, descobre
Percorre a língua
Escorre
Escorregadia a saliva
Do fim até em cima
Vasculha a lambida
Procura mais calor
O sol, num dia com ardor
Sacode minha Eros
No mesmo peito palpita
O mesmo peito, excita
Escorregadio, bebo você
Me alimento do sal
Que conheço e que surge
Fagocito, excito
Apenas entrego
Recebo um ar aquecido
Me empurra a engolir
Envolve o meu todo
Envolve meu vulto. Vulva
Minha pele e seu sabor
Forte e lembrança
Doce, suspirado, sugado
Sugada da minha boca.

—-

[Aline Ascani]



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