Pó nas pálpebras

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Luz na janela pingando pontos de pó nas pálpebras,
pingando pontos de luz,
enquanto sentado espera o peso do corpo sumir.

O vaso de papoulas ao lado,
o cheiro de mofo que sobe dos pés
e a alegria de ainda possuir cigarros.

Se distrai olhando as voltas da fumaça,
olha o ar com olhos embaçados de tempo.

Não procura resolver enigmas.
Dos seus problemas não espera iluminação.

Fuma o último fumo
e espera o ar transparecer.

Da janela, brotam pingos de pó,
Mas as pálpebras se fecham.

Enrolado, o pescoço enruga com a pressão.
A corda estica e o peso consuma o fim e some.

O tempo cessa. O pó descansa.

[Homero Gomes] – Mais poesias do autor



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