Suor

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Um incontável número de gotas
escorrem da testa, rotas, ignotas.
Há na transpiração qualquer coisa
sensual, libertina, carnal.

Arco e ergo o queixo
desfaço-me em curvas, turvas
as gotas caem, desejo
da boca, úmida, o beijo.

As mãos, ávidas, rompem
os lábios sopram, uivando
o corpo, grita, gemendo
o tempo é agora, quando.

Naquele momento, juro
poderia parir qualquer coisa:
(que não fosse morta, fria)
quadro, canção ou poesia.


[ Michele Pupo ]



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