Vagina de plástico de acetato marrom

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Hoje o metrô corre no tempo

por muitas vezes é o meu

que parece acabar.

Suor escorre queimando

minhas órbitas

é o mesmo que umidifica

o sofrer por entre os olhos

o gosto da nicotina

em cada molécula

que passeia pela vias

rugosas de meu rosto.

atordoado.

Em catarro seco

que anda veloz pelo peito

no mesmo tempo por onde

corre esse vagão.

Se já não sinto minhas mãos

coração por mais tentador

apenas expurga centelhas.

Vejo o querer esquecer a vida

em cada respiração forçada.

Carro A246

C251

segundo túmulo metalizado

à esquerda.

mas essa vagina plástica

acetato marrom me consola

sentado em cima dela como rei

morto por mais um dia.

Não há filosofia

tacanha poesia

nessas ejaculações precoces

do convívio social.

próxima estação santa cruz

desembarcar ou não

é apenas mais um

mero detalhe.

Por cada vez

que essa porta se abre

vai com o vento

outro pedaço de minha alma

levado em nemofilia subterrânea.

Quem sabe por fim

reste apenas em mim

esse sorriso emoldurado e paralisado

como nos cartazes

que ilustram as paredes desse metrô que corre no tempo.

[Fabio Navarro] – Mais poesias do autor



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